monstro vestido de médico

Gente, esqueci de contar, pra não esquecer que a vida não é só brisa.
Minha mãe caiu no banheiro e quebrou o joelho
Acreditam que o médico mandou ela pra casa com a perna engessada?
Sim, ele falou que ela voltaria em 30 dias pra retirar a tala...Ela tem 97 anos, 

prótese total de fêmur e esse homem que se veste de médico, mandou pra casa, joelho quebrado.
A sorte é que a gente trouxe ela pra cidade em que moro, ela chorava de dor, tadinha.
Ao final de 30 dias, solicitamos uma ambulancia que a conduziu até o hospital e ao tirar o Raio-X
veio a surpresa, joelho quebrado, tadinha gente, por isso ela chorava de dor.
Quando foi pra retornar à sua cidade, devidamente acompanhada por equipe de saúde, heis que

o tal médico estava de plantão e novamente a atendeu, vocês naõ  vão acreditar, mas ele falou que

iria indicar cirurgia não, pelo fato dela ser muito"velha", palavras dele, o tal médico.
Se recusava a indicar cirurgia, ainda falou que ela viveria em cuidados paliativos em casa.
Juro que se eu tivesse uma máquina que desmaterializasse, esse ser estaria jogado no meio

da poeira cósmica, poluindo o espaço.

Mas graças á minha filha e aos amigos-anjos que ela tem, e claro, graças a Deus; minha mãe passou por cirurgia e agora está bem.

Vou contar um negóço, viu!

 Que saudades de vir aqui no meu cantinho secreto
Tanta coisa aconteceu nesse tempo de sumiço.

Thiago casou, se mudou e teve uma filha, a Luisa, minha princesa
Depois ele se mudou novamente e voltou pra pertinho

Depois se mudou pra longe novamente e nasceu a Laura
Agora ele mora no Maranhão
A Lorrane mora em Uberlandia, continua sendo a médica mais linda 

da unidade em trabalha.

Thiago é o melhor exemplo de pai que existe

Lorrane é a titia-madrinha da Luisa mais corujo
Ano passado a Luisa passou com a gente o aniversário dela e a Lorrane fez todas 

vontades da afilhada, festa temática, ficou linda!
Sobrevivemos à pandemia e fomos conhecer o Rio de Janeiro...Voltamos com  COVID
Pode um trem desse?
A gente sobrevive ao tal virus mortal, passa os piores perrengues, fica sem se abraçar

Viaja pra cidade maravilhosa  e volta bichados.

É brinquedo não


Mais um capítulo?



É isso gente, estou na luta novamente, uma vez vestida de guerreira, sempre na batalha, e para ganhar novamente, podem acreditar.
Até breve, quando os exames ficarem prontos voltarei pra gente conversar novamente.




Desculpem a demora, ano passado foi bastante conturbado; dia 16 de julho fui pra casa de minha mãe uma vez que dia 17 era meu aniversário e sempre passo com ela; na noite de 16/07 ela reclamava muita dor na perna, fui até a casa de minha irmã que mora ao lado buscar um gel para massageá-la, chamei minha mãe até o seu quarto para que aplicasse o gel; quando olhei pra trás percebi que ela estava parada pedindo ajuda; havia fraturado o fêmur. Passei a noite inteira sentada numa cadeira ouvindo ela gritar de dor.
Foi submetida a uma cirurgia de prótese total no dia 09 de agosto.
Fiquei tomando conta dela por quase dois meses.
Sinceramente eu não tinha esperanças de ver a minha mãe caminhando novamente, ficou em cadeira de rodas, tinha medo de pisar no chão. Hoje ela caminha sozinha com andador articulado. Vou à casa dela a cada 15 dias, revezo com a minha cunhada os finais de semana; de segunda a sexta feira eu pago uma pessoa pra fazer companhia a ela.Nessa correria eu me esqueci de meus exames. Embora o médico tenha falado que sou portadora de SJ e tenha sugerido os exames complementares só por segurança, eu fiz e ainda não procurei os resultados, sei que isso é visto como descuido, mas prometo que tão logo esteja com os exames em mãos, postarei pra vocês!
.Até qualquer hora!

Marina Liberato

Mais um capítulo?

Depois de tantas lutas e de tantas vitórias a minha vida parecia um pouco pacata.(risos)
Há alguns anos fui diagnosticada com alguns nódulos nas glândulas salivares; mas embora parecesse um caso novo e ainda não haviam notícias sobre o mesmo, o médico na época aconselhou uma cirurgia para remoção dos tais carocinhos, analisamos a situação e devido à deformação que sofreria na face, afetaria a expressão facial; optamos por não fazer.
O tempo foi passando e a falta de saliva foi agravando a ponto de provocar crises de tosse, inflamação das parótidas  e dificultava na alimentação, também os cuidados com os dentes intensificaram, pois com a falta da saliva os dentes ficaram mais suscetíveis a cáries.
No ano de 2014 resolvi procurar um oftalmologista, durante os exames o mesmo constatou que meus olhos estavam muito secos e impossibilitava a realização dos procedimentos; me aconselhou a procurar um reumatologista para investigar uma doença denominada "sindrome de sjogren", fiquei meio chateada e pensando como seria se confirmasse tal suspeita.
Iniciei a procura por um médico que atendesse pelo meu convenio, marquei a consulta e realizei um exames de sangue para medir os níveis de anticorpos e demais células presentes no sangue. De posse do resultado procurei o médico para ouvir dele o veredito, foi confirmado que eu estava com a tal síndrome.
O médico solicitou mais outro tanto de exames, teste da lágrima de Schirmer; biópsia labial; ecodoplercardiograma, tomografia computadorizada multislice do torax; angiografia por ressonancia; outros muitos exames de sangue.
Segundo o médico reumatologista a sindrome de Sjogren é uma doença autoimune que afeta as glandulas produtoras de saliva e lagrimas, causando olhos e boca seca, podendo tambem afetar outras partes do corpo e causar problemas nos rins e pulmões, o sistema imunológico desenvolve anticorpos que atacam o proprio organismo.
Confesso que sai do consultório de farol bem baixo, fui à procura dos especialistas para realizar os exames solicitados; para minha surpresa só não fiz o teste schirmer e a biopsia, pois não encontrei nenhum profissional que coletasse os materiais para as analises.
O medico prescreveu um medicamento que segundo ele seria meu "AAS" para sempre, tomarei esses comprimidinhos por uns 90 anos ainda (risos).
É isso gente, estou na luta novamente, uma vez vestida de guerreira, sempre na batalha, e para ganhar novamente, podem acreditar.
Até breve, quando os exames ficarem prontos voltarei pra gente conversar novamente.

Marina Liberato da Silva Ribeiro.


Infância


E a vida seguia naquela casinha simples barreada e coberta com folhas de coqueiro.
Nada assustava ou amedrontava, o canto da cotovia e o relinchar dos cavalos era a única música matinal  ouvida todas as manhãs, o nosso despertador era o galo garnizé que cantava  alto e desafinado.
À noitinha meu pai ligava o seu radinho de pilha e se sentava num banquinho de madeira feito por ele, ficava pitando seu cigarro de palha e balançando os pés ao som de Nana Caymmi, Altemar Dutra, Leo canhoto e Robertinho e muitos outros cantores daquela época.
Meu pai pitando seu cigarro e ouvindo música enquanto a gente corria pelo terreiro brincando de cobra cega,  minha mãe ficava fazendo os remendos nas roupas, vez ou outra olhava e sorria daquela algazarra.
Quando se é criança os problemas são inexistentes e os medos só aparecem quando a noite cai e a escuridão engole o dia.

TORMENTA-06

...Fiquei hospitalizada por mais oito dias e fui liberada para passar o Natal com minha família, prometi que voltaria para realizar alguns exames e que não deixaria de tomar a Varfarina, para que o sangue não continuasse coagulando, promessa feita.
Chegando em casa após tantos dias longe, confesso que as coisas me pareciam estranhos, o ambiente, o som, as cores, não saberia explicar e acredito que ninguém o faria, pois tudo parecia muito sem sentido e meio estranho. Minha casa era a mesma, as pessoas não mudaram, nem a mobília mudara, mas eu mudei, não sei ao certo como ou o quanto, mas mudei e já não me via no mesmo contexto e com a mesma visão de antes.
Natal é tempo de renascimento e de reflexões, eu estava em casa novamente, estava rodeada das pessoas que eu amava, muitas visitas e muitas pessoas falavam muito sobre a importância que minha presença fazia em suas vidas, muitos amigos e familiares, festa. Mas eu ainda não me encontrava, estava com a sensação de estar olhando a tudo e a todos como se fosse a primeira vez.
Minha cabeça ainda estava com a sensação de vazio de lembranças e eu tentava me situar no tempo, tentava me lembrar onde o meu tempo parou e onde eu estava agora, parecia que o tempo não me esperou e passou rápido demais e agora eu precisava me atualizar dos fatos.
Chegou o Natal e como em todos os anos minha mãe e meu pai vieram passar em minha casa, minha mãe comemora seu aniversário dia 25 de dezembro e por esse motivo o meu natal sempre teve bolo e cantada de parabéns, para minha mãe e para Jesus Cristo.
Passadas as datas festivas, chegado o momento de procurar o Dr Roberto Carlos, conforme prometido, para realizar alguns exames e saber a gravidade da trombose.
Cheguei cedo ao consultório, quando o médico me viu ficou maravilhado com a minha aparência, ele segurou e analisou minhas mãos, falou que nem de longe eu parecia aquela pessoa totalmente deformada pelo inchaço, eu fiquei feliz com esse comentário. Ele indicou um exame chamado Ecodoppler.
A cada mês eu precisava realizar exame de sangue para controlar o RNI (tempo de protrombina), não poderia ultrapassar 2,5 e deveria ser regularmente monitorado.
Realizei o Ecodoppler e levei para que ele desse o diagnóstico, não era muito animador,  pois a trombose estava ativa apesar do anticoagulante e cirurgia não era indicado para o meu caso, realizei outros exames, inclusive dos pulmões para saber qual conduta a ser seguida.
Fiquei proibida de comer e/ou beber qualquer alimento que favorecesse a produção da vitamina K.
Seguia todas as orientações à risca e não conseguíamos controlar o avanço da trombose. Meu corpo criou um "socorro" para ajudar o meu coração a trabalhar, pequenos vasos espalhados em meu tronco.
Continuei com o tratamento com varfarina por mais alguns meses e parei, segundo o médico não adiantava colocar minha vida em risco, meu corpo não estava reagindo ao anticoagulante.
Me sinto um milagre ambulante passeando pela vida. Sou atleta e pratico atividade física todos os dias, não tenho tempo para pensar quando ou como vou mudar de dimensão, eu gosto de ficar aqui na terra e pretendo ficar muitos anos ainda, penso que viverei muitos anos ainda e ainda vou ensinar muita gente que a vida é uma passagem única, o que fazemos para que nossa existência seja uma forma de agradecimento por cada amanhecer e por gota de chuva que molha a terra em que pisamos, cada perfume e cada cor que a natureza oferece é único, nenhum milésimo de segundo volta e a vida é uma máquina engrenada para seguir sempre em frente, por tanto, não podemos retroceder e nem perder o nosso tempo reclamando.



TORMENTAS-05

...começou a investigação para diagnosticar aquela doença.
Vários exames de imagem foram realizados e nada de descobrir o que eu tinha.
Meu corpo inchava absurdamente e eu ficava cada vez mais sem capacidade de respirar sem a ajuda do oxigênio, recebia auxílio diário de uma fisioterapeuta e uma fonoaudióloga que me ensinavam exercícios de respiração.
Meus familiares e amigos me visitavam e à primeira vista era nítido o susto que esboçavam ao me ver, estava irreconhecível.
Numa manhã que não me lembro a data, precisei pulsionar uma veia para realizar um exame de contraste, porém não havia como encontrar o acesso devido ao inchaço, tentaram várias vezes nas mãos, braços e pés, não conseguiram; o chefe de enfermagem, me lembro o nome dele e acredito que nunca vou esquecer, Flávio, aproximou-se e olhou fixamente em meus olhos perguntando se eu confiava nele, sentia que tremia e suava, parecia estar mais apavorado que eu, respondi positivamente com a  cabeça que confiava sim, ele então pediu que mantivesse o pescoço virado para meu lado esquerdo e não mexesse em hipótese nenhuma, pois ele precisava colocar um cateter na minha jugular e certamente não seria muito confortável, mas era necessário. Fiquei imóvel, sentia as suas mãos trêmulas e sua respiração ofegante, demonstrava muito cuidado em não me causar mais dor do que já sentia.
Cateter colocado, fui conduzida ao local onde seria realizado o exame, voltei logo para o quarto, tive muita náusea e vomitei, acredito que devido ao jejum e ao contraste.
Uma equipe médica entrou em meu quarto acompanhados do doutor Teriovaldo, que compareceu ao hospital a meu pedido e ao me ver indagou se já haviam feito exames direcionando a enfermidade à trombose de cava superior, pois a minha aparência sugeria esse quadro. Após discutirem o caso, o doutor Roberto Carlos se dirigiu até mim e disse que na manhã seguinte ele iria me operar e tirar o causador daquela doença, o cateter colocado para realizar quimioterapia  e que não havia sido heparinizado seria o vilão da vez.
Na manhã seguinte, um domingo, fui submetida a uma cirurgia para retirada do cateter, na segunda feira já estava menos inchada e respirava sem oxigênio, graças a Deus as coisas estavam voltando ao normal.
Fiquei hospitalizada por mais oito dias e fui liberada para passar o Natal com minha família.


TORMENTAS-04


Iniciei o tratamento de radioterapia e parecia que tudo seria normal e meu tratamento teria o percurso esperado, mas novamente meu organismo gritou e logo começaram a aparecer bolhas, eram as reações da radio que estavam acontecendo de maneira rápida, aliás bem mais rápido que o esperado.
O médico falou que já havia ouvido algo a respeito das reações que meu organismo sofria a tratamentos,  algo do tipo " me falaram que seu organismo reage de maneira bem extremista, que com você é oito ou oitenta, que não tem meio termo", após falar isso ele sorriu e indicou um creme para queimaduras, eu estava em carne viva e não suportava a roupa encostando em mim, andava com o braço esquerdo levantado, o creme aliviou um pouco, mas não melhorou e o tratamento não poderia ser interrompido, toda quinta feira às 9 horas eu estava na clínica para mais uma sessão tortura, embora soubesse que era necessário, o tratamento me fazia pensar em parar devido ao desconforto, mas não parei, segui firme, forte e com foco.
Numa dessas manhãs à caminho da clínica comentei sobre a dor que sentia, foi quando desviamos nosso trajeto e fomos procurar uma dermatologista que diagnosticou um início quase imperceptível de câncer de pele, ela aconselhou parar com o tratamento, fiquei em pânico, fomos até a clínica e relatei o fato ao médico, ele falou que eu estava no finalzinho do tratamento, faltavam algumas poucas sessões e poderia ser mais viável seguir orientação da dermatologista e parar o tratamento.
Os médicos que me acompanharam tanto na quimioterapia quanto na radioterapia são irmãos e trabalhavam na mesma clínica, fui ao consultório do oncologista que prescreveu o tratamento de hormonoterapia com o uso do tamoxifeno, tomaria um comprimido ao dia durante cinco anos.
Novamente deveria ser tranquilo, esse tratamento geralmente é, não fosse novamente o meu organismo gritar extremamente com o uso da droga, com alguns meses de uso eu ligava para meu médico e relatava imensa falta de ar, sentia dificuldade para respirar, quando estava mastigando precisava pausar e puxar o ar pela boca, sentia muito desconforto e estava bastante inchada.
Em uma das vezes que liguei reclamando do inchaço, meu médico disse ser normal devido à droga reter líquidos, mas sugeriu que eu fosse ao consultório para uma consulta de rotina, quando entrei ele se assustou ao me ver, pediu para falar com meu esposo e pediu uma consulta com um angiologista, era sexta feira e não foi possível agendar para o dia em questão, marcamos para segunda feira, voltamos para casa e a falta de ar me incomodava tremendamente. Não deu tempo de consultar com o especialista, no domingo pela madrugada dei entrada na UTI e lá permaneci por vinte e três dias, os médicos não conseguiam diagnosticar a doença e eu inchava sem parar, minha pele parecia que rasgaria a qualquer momento, tal era o inchaço. Durante algum tempo na UTI, meu corpo ficou inerte naquele leito,  não  conseguia reagir aos  relatos das enfermeiras, em um desses relatos ouvia uma delas falando que alguém havia falecido com o mesmo quadro em que eu me encontrava, se eu pudesse gritaria com elas e mandaria que se calassem, era horrível ouvir falar de mim sem que eu pudesse me manifestar, tinha um homem que gritava muito na UTI, ele pedia para vira-lo e desvira-lo o tempo todo, e eu ouvindo tudo. Quando fui para o quarto ainda respirando com a ajuda do oxigênio e fazendo fisioterapia para reaprender a respirar, também tinha uma bolinha que eu massageava com as mãos para ajudar na circulação. O pior de todos os momentos pós UTI foi quando consegui me levantar e me olhei no espelho, entrei em desespero ao me reconhecer apenas no olhar, aquele corpo não era o meu, estava com quase vinte quilos de inchaço, eu chorei muito e a equipe médica ficou sem saber o que fazer, eles pensavam que eu era obesa e alguns deles comentaram que eu não estava aceitando o fato de estar "gordinha", num rompante de desespero eu pedi para que minha filha levasse fotos minhas para o hospital e mostrasse aos médicos, falasse a eles que eu não era daquele jeito, quando ela chegou com as fotos eles não acreditaram, começou a verdadeira investigação sobre o diagnóstico daquele doença repentina e sem explicação.


Respeito


TORMENTAS-03

A cada 21 dias do mês de novembro de 2007 a julho de 2008 eu passava sofrendo crises horrorosas de náuseas, os três dias após a quimioterapia eram de absoluta solidão, eu me trancava em meu mundo e não queria ver e nem falar com ninguém; os outros dias eram quase tranquilos, tirando os momentos em que eu me lembrava que estava quase no dia de mais uma sessão.
Assim foram se passando os meses, me lembro que no dia 18 de fevereiro de 2008 era a minha colação de grau, eu estava muito fraca, mas me preparei e fui, quando cheguei vestida com a beca e olhei à minha volta, percebi que muitas amigas estavam chorando e me olhando, pareciam não acreditar que eu estava ali para receber o meu "canudo" de graduada, aos poucos foram se aproximando e juntas me abraçaram desejando sorte e falando o quanto ficaram surpresas com a minha presença, eu estava com uma máscara e encobria a cabeça com um lenço preto bordado de canotilhos, expliquei que precisava ficar com a máscara pois minha imunidade estava pouca e eu não poderia me expor a nenhum tipo de vírus, foi um momento impar para mim. A professora pediu para que eu formasse a turma, aceitei e me senti honrada com a homenagem.
Quando entrei no salão notei minha família sentada na primeira fila à minha direita, eu era a primeira pessoa em minha família a concluir o ensino superior, me sentia muito realizada em poder dar ao meu pai e minha mãe essa felicidade. A solenidade demorou um pouco e começou a esfriar, quando terminou eu já estava meio febril e não poderia participar da sessão de fotos, fui levada para casa sem mesmo me despedir das amigas. Essa ação teve uma reação, tive leucopenia e fiquei internada, muitos exames, muitos cuidados, isolamento...Precisei tomar injeções de Granulokine para amenizar a queda brusca de minha imunidade.
Fiquei em um quarto onde ninguém podia entrar, tudo era esterilizado e meu organismo mais uma vez surpreendeu os médicos, os leucócitos aumentaram e o quadro de leucopenia foi vencido, o oncologista me fez jurar que não me colocaria em situação de risco novamente, me deixou voltar para casa e comigo levei uma caixa cheia de injeções de Granulokine que seriam aplicadas a cada semana.
As sessões de quimioterapia estavam acabando, graças a Deus eu estava me sentindo bem.
Mês de meu aniversário foi marcado para tomar a ultima dose da medicação, julho foi o mês que marcou meu nascimento e meu renascimento.
Chegou ao fim as sessões de quimioterapia e começaria a radioterapia, segundo o médico era importante que não demorasse para começar pois o câncer era agressivo e uma falha no tratamento poderia colocar em risco a minha recuperação. O meu convênio não cobria a radioterapia, precisava esperar uma vaga no hospital do câncer da UFU, haviam muitas pessoas na fila de espera, eu não tinha tempo para esperar, mas não havia nada a ser feito a não ser esperar. Após meu esposo enviar um e-mail nada cordial aos responsáveis pela liberação de tratamentos do convênio, chegou uma resposta positiva, eu poderia procurar a clínica e realizar a segunda etapa do tratamento contra o câncer, a radioterapia.


TORMENTAS-02

Passei por exames muito doloridos antes da cirurgia. Dia 08 de outubro às 07 horas dei entrada ao centro cirúrgico.
Foi uma cirurgia bastante demorada, mesmo não sentindo a presença de tempo, espaço ou dor, acordei da anestesia cansada e meio atordoada.
Já no quarto recebi uma visita nada convencional de uma enfermeira que me falou algumas palavras de conforto e terminou falando a seguinte frase: " hoje é minha folga, porém, eu resolvi ficar e cuidar de você, acredito que Deus quer minha presença aqui e me fez ficar só para te fazer companhia hoje"...O nome desse anjo é Vanda e nunca mais nos falamos.
Eu estava muito confiante na minha situação de paciente de Câncer de Mama, acreditava que sairia bem desse naufrágio e conseguiria seguir andando sem muitos tropeços.

Permaneci hospitalizada o tempo comum a toda cirurgia, no terceiro dia recebi alta e fui  para a casa de meu sobrinho-afilhado, minha irmã tomaria conta de mim nos primeiros dias. Confesso que a recuperação não muito fácil, o médico havia colocado uma sonda e os banhos não eram dos mais tranquilos.
No sétimo dia fui tirar os pontos e me preparar para a segunda etapa pós câncer. Quando o médico retirou a  sonda eu quase deixei meu espírito sair junto, tamanha foi a dor, a mangueira estava em formato espiral e a cada volta eu me segurava para não gritar e xingar o médico, terminando a sessão tortura-sonda, retirou os pontos e começou a passar aquele maldito aparelho de ultrassom e ficou olhando no monitor, solicitou a presença de meu esposo e explicou que seria necessário voltar comigo para o centro cirúrgico, alegava que ficara resquícios de células cancerígenas; eu arregalei os olhos e falei que não existia  no planeta ninguém para me  convencer a passar novamente por uma cirurgia, assinei um termo de responsabilidade pela minha recusa de uma nova cirurgia.
Dia 09 de novembro de 2007, fui conhecer o meu oncologista, o médico que me acompanharia pelos próximos anos, quando entrei no consultório me deparei com um jovem que começou perguntando o motivo pelo qual eu me recusei a uma nova cirurgia, respondi que não tinha a resposta, apenas acreditava ser desnecessário; ele sorriu e falou que realmente não era necessário já que a quimioterapia faria a limpeza restante.
Após obedecer as burocracias exigidas pelo convênio médico, iniciei o tratamento no dia  26 de novembro de 2007.
A primeira sessão não foi tranquila, vomitei muito e já no início fiquei enjoada e apresentei aversão a tudo que trazia a cor vermelha, inclusive carne.
Minha família e amigos foram solidários com o meu desejo de ficar isolada e não querer receber visitas de absolutamente ninguém.
Eu fiquei melhor no terceiro dia depois da medicação, mas logo enjoei novamente pois lembrava que a cada 21 dias eu estaria passando por tudo novamente. E na terceira vez que fui à clinica já estava quase sem cabelos, pedi ao meu esposo que passasse comigo no salão para raspar o restinho de cabelos que restavam, o moço do salão ficou desconsertado e não cobrou pela dura missão de passar a máquina zero em minha cabeça. Voltei para casa ainda mais debilitada. Quanto à falta dos cabelos não me incomodava nem um pouco, eu sabia que os cabelos nasceriam de novo, o que me incomodava de verdade eram as sessões cada vez mais difíceis de quimioterapia....


TÃO EU


Feliz Ano Novo de Novo


TORMENTAS-01

É mesmo engraçado quando os fatos acontecem e notamos que fomos omissos à nossa vontade. Somos conduzidos pelo tempo e quando percebemos estamos à deriva de um barco naufragando e já não temos muitas opções de direções a seguir. A vida é assim, o tempo é o leme que nos escapa ao controle e muitas vezes somos levados sem rumo. Numa dessas tempestuosas situações me deparei com um câncer de mama, bem no início, descoberto a tempo de evitar o naufrágio de minha embarcação. Era um dia de sol e o relógio marcava onze horas e quarenta cinco minutos, acabara de chegar da escola onde dava aulas para alguns alunos ditos impossíveis. Entrei em casa, morava em frente à escola; fui até meu quarto para guardar o material escolar e me preparar para a segunda etapa do dia, alfabetização para idosos. Minha mão foi conduzida até minha axila esquerda, não me lembro de ter planejado essa ação, eu nunca me auto-examinava, ali estava ele, o nódulo. Fiquei tranquila pois não acreditava que pudesse ser nada. Marcada a consulta com a minha médica, fui no mesmo dia, ela examinou e pediu para realizar uma bateria de exames, então solicitou uma biópsia, dia 24 de setembro de 2007, me lembro dessa data como se fosse hoje. Uma semana depois fui saber o resultado da biópsia,dia 01 de outubro. A médica pediu a presença de meu esposo, "Marina, eu vou te acompanhar em todos os procedimentos, estarei presente durante a cirurgia", não entendendo nada indaguei o que estava acontecendo, foi quando ela falou que eu estava com câncer e precisava fazer a cirurgia urgente, indicou um mastologista, fomos no mesmo dia até o consultório e marcamos a cirurgia para o dia 08 de outubro. O pior momento foi passar no apartamento da minha filha e olha-la pensando que aquela poderia ser a ultima vez que estava olhando para ela, tanta coisa passou em minha cabeça, as formaturas que eu não estaria presente,os risos e choros que não compartilharia. Ganhei fôlego para deixar as coisas organizadas, preparei as aulas que seriam ministradas pela professora substituta; fui até a faculdade e expliquei a situação aos professores, me despedi da turma entre choros e promessas de reencontro. Me tranquei por dentro e proibi meu esposo que contasse o fato aos meus pais e meus filhos, não queria vê-los preocupados. Passei por exames muito doloridos antes da cirurgia. Dia 08 de outubro às 07 horas dei entrada ao centro cirúrgico.

Seguindo bons exemplos

Quando somos livres

AMIZADE LIMPA

Marina Liberato

ESCOLHAS

Ontem eu fui até minhas lembranças encontrei muitas ruínas 
encontrei muitos retalhos, muitos caminhos inacabados, muitos atalhos e muitas voltas 
Encontrei dúvidas e certezas, encontrei muitas opções de escolhas 
Encontrei também fragmentos de quem sabe, de talvez, de até logo, até breve, de nunca mais... 
Mas ainda encontrei em tempo de visualizar por alguns segundos antes que desfragmentasse, 
antes que acabasse, antes que morresse para sempre naquele segundo,
sim meu sorriso infantil e esperançoso ainda estava lá, guardado na minha lembrança 
Quando se é criança, se pode sonhar colorido, colorido de esperança, colorido de lollipop 
Olhando um pouco mais adiante, alguns passos de segundo notei um espelho quebrado, 
dentro estava uma pessoa adulta e calada, cabisbaixa e pensativa 
Não pude ver o rosto, mas me lembrou alguém muito próximo de agora, os cabelos longos e jogados na face encobria a sua identidade 
Estremeci quando notei a semelhança, trazia em uma mão a historia de uma vida, e na outra mão apertava forte uma caneta, a caneta que escrevia as nossas escolhas 
Foi quando lembrei vagamente que nessa fração de segundo eu poderia ainda escrever a minha historia, afinal a caneta da Vida só seca a sua tinta quando desistimos de nós e esquecemos que somos os autores e co-autores de nossas ações.

Marina Liberato

Encanto

Quando eu era criança sempre escrevia carta pro papai noel todas as noites que antecedia o natal eu colocava a carta na janela e dormia cedo pra não perder o encanto, era sabido que quem não dormia não recebia presente, pois quebrava o encanto do natal. Em uma dessas noites eu que havia dormido o dia todo, estava sem sono e fingi estar dormindo só pra ver o bom velhinho deixar meu presente. Foi decepcionante quando vi meu irmão colocar o presente embaixo da minha caminha. Fiquei muito chateada e não contei a ninguém o ocorrido. Parei com as cartinhas, alegava que já estava crescida e que não acreditava mais em papai noel, mas na verdade até hoje eu tenho dúvida se o encanto do meu natal não quebrou justamente porque eu não fui dormir.

Marina Liberato

Aprontando de novo.

Era uma manhã de sol escaldante, eu sempre muito levada aprontava as piores peraltices da casa e deixava minha mãe desesperada Uma dessas tardes de sol, eu peguei uma bacia de alumínio, dessas que tem em toda casa da roça; coloquei a bacia na cabeça e rumei pro açude, peguei um pedaço de pau, entrei na bacia e com o pau empurrei o barranco afim de fazer daquela bacia um barco. Empurrei repetidas vezes até que comecei a rodar, rodar, rodar e ir pro centro do açude,dessa vez não tinha como gritar, o medo era tanto que eu travei o corpo, a bacia girava e eu tremia. A bacia foi adentrando o açude, foi quando novamente meu irmão mais velho que estava pescando num barranco, ele me viu e pulou na água para me resgatar. Dessa vez eu não escapei de um castigo não, fiquei proibida de andar a cavalo, buscar frutas silvestre e subir em árvores...Mas isso só durou uma noite e um dia, eu sempre escapava dos castigos.

Marina Liberato