Quando eu era criança sempre escrevia carta pro papai noel
todas as noites que antecedia o natal eu colocava a carta na janela
e dormia cedo pra não perder o encanto, era sabido que quem não dormia não recebia presente, pois quebrava o encanto do natal.
Em uma dessas noites eu que havia dormido o dia todo, estava sem sono e fingi estar dormindo só pra ver o bom velhinho deixar meu presente.
Foi decepcionante quando vi meu irmão colocar o presente embaixo da minha caminha.
Fiquei muito chateada e não contei a ninguém o ocorrido. Parei com as cartinhas, alegava que já estava crescida e que não acreditava mais em papai noel, mas na verdade até hoje eu tenho dúvida se o encanto do meu natal não quebrou justamente porque
eu não fui dormir.
Era uma manhã de sol escaldante, eu sempre muito levada aprontava as piores peraltices da casa e deixava minha mãe desesperada Uma dessas tardes de sol, eu peguei uma bacia de alumínio, dessas que tem em toda casa da roça; coloquei a bacia na cabeça e rumei pro açude, peguei um pedaço de pau, entrei na bacia e com o pau empurrei o barranco afim de fazer daquela bacia um barco. Empurrei repetidas vezes até que comecei a rodar, rodar, rodar e ir pro centro do açude,dessa vez não tinha como gritar, o medo era tanto que eu travei o corpo, a bacia girava e eu tremia. A bacia foi adentrando o açude, foi quando novamente meu irmão mais velho que estava pescando num barranco, ele me viu e pulou na água para me resgatar. Dessa vez eu não escapei de um castigo não, fiquei proibida de andar a cavalo, buscar frutas silvestre e subir em árvores...Mas isso só durou uma noite e um dia, eu sempre escapava dos castigos.
Marina LiberatoQuando eu era criança adorava jatobá, uma fruta silvestre e pouco apreciada pelo sabor bem característico. Numa dessas andanças em busca da minha fruta silvestre preferida, me perdi na mata já estava tarde quando meu pai e meu irmão mais velho saíram à minha procura, ao que ficaram surpresos, pois eu estava sentada e com a boca toda suja de jatobá, havia reunido todos os jatobás que eu podia e por não conseguir levá-los pra casa, resolvi comer ali mesmo, pelo menos até ficar uma quantidade que coubesse na roda da minha saia. Meu irmão ficou uma fera e brigou comigo, meu pai por sua vez só falou: -Deixe a menina, num ta vendo que ela conseguiu colher jatobá pro ano todo? -Pelo menos não vai se perder por pelo menos uns meses. Colocaram então as frutas num embornal e sobre o lombo do cavalo, me colocou sobre o animal e rumaram para casa. No outro dia eu tava distribuindo jatobá pra toda a molecada da corrutela. Criança que cresce na roça é igual bicho do mato, a mata adota e protege, dizia minha mãe, ao perceber meu sumiço novamente.
Marina Liberato






