Era uma manhã de sol escaldante, eu sempre muito levada aprontava as piores peraltices da casa e deixava minha mãe desesperada Uma dessas tardes de sol, eu peguei uma bacia de alumínio, dessas que tem em toda casa da roça; coloquei a bacia na cabeça e rumei pro açude, peguei um pedaço de pau, entrei na bacia e com o pau empurrei o barranco afim de fazer daquela bacia um barco. Empurrei repetidas vezes até que comecei a rodar, rodar, rodar e ir pro centro do açude,dessa vez não tinha como gritar, o medo era tanto que eu travei o corpo, a bacia girava e eu tremia. A bacia foi adentrando o açude, foi quando novamente meu irmão mais velho que estava pescando num barranco, ele me viu e pulou na água para me resgatar. Dessa vez eu não escapei de um castigo não, fiquei proibida de andar a cavalo, buscar frutas silvestre e subir em árvores...Mas isso só durou uma noite e um dia, eu sempre escapava dos castigos.
Marina LiberatoQuando eu era criança adorava jatobá, uma fruta silvestre e pouco apreciada pelo sabor bem característico. Numa dessas andanças em busca da minha fruta silvestre preferida, me perdi na mata já estava tarde quando meu pai e meu irmão mais velho saíram à minha procura, ao que ficaram surpresos, pois eu estava sentada e com a boca toda suja de jatobá, havia reunido todos os jatobás que eu podia e por não conseguir levá-los pra casa, resolvi comer ali mesmo, pelo menos até ficar uma quantidade que coubesse na roda da minha saia. Meu irmão ficou uma fera e brigou comigo, meu pai por sua vez só falou: -Deixe a menina, num ta vendo que ela conseguiu colher jatobá pro ano todo? -Pelo menos não vai se perder por pelo menos uns meses. Colocaram então as frutas num embornal e sobre o lombo do cavalo, me colocou sobre o animal e rumaram para casa. No outro dia eu tava distribuindo jatobá pra toda a molecada da corrutela. Criança que cresce na roça é igual bicho do mato, a mata adota e protege, dizia minha mãe, ao perceber meu sumiço novamente.
Marina Liberato
Quando olhamos à nossa volta e tudo que podemos visualizar é nossa sombra como companhia... Nesses momentos podemos aproveitar pra avaliarmos se somos capazes de tirar proveito de cada situação e fazer do silencio a melhor melodia ja ouvida... Marina LIberato





