É complicado encontrar forças
Quando nós somos os necessitados
É demasiadamente complicado

Tudo parece bem mais claro
Se somos platéia, ombro amigo
Sempre sabemos exatamente oque falar
Temos sempre a dica ou a crítica a ser passada

Mas nosso espelho se quebra
Quando estamos nos olhando
Buscando uma saída estratégica

O travesseiro vai parar nos pés da cama
Se durante a noite ele se faz de conselheiro
Ou ouvinte de nossos mais temerosos medos

Não, a noite não é a melhor conselheira
O sono sim, esse é nosso refúgio fantástico
De onde talvez, se pudéssemos, nunca sairíamos


Marina Liberato


Quando tudo parecia esquecido tropeçamos e reabrimos uma ferida ja cicatrizada, agora a dor é mais intensa e o tempo de cura parece mais longo...


Marina Liberato

Quando a lua chora


Essa noite a lua está mais solitária
Talvez ela rejeite as estrelas
Talvez se ela pudesse se apagar...
Por alguns instantes apenas
Só pra ficar realmente sozinha
Mas isso é impossível quando se é lua
Mesmo tentando esconder
O brilho de suas lágrimas brilham no escuro
E seus soluços atravessam a noite e invadem o céu.


Marina Liberato







Quando olho pra vida de frente vejo o quanto somos companheiras e cúmplices.







A noite é só o dia que envelheceu

EU

... Eu ...


O barulho do silêncio é perturbador
As vezes me sinto necessariamente só
O toque do vento entrando pela janela
A dança das folhas na samambaia
Isso me basta, as vezes.


FELIZ ANO SEMPRE NOVO


FELIZ ANO SEMPRE NOVO


A esperança do amanhã
Nos faz vivos e cheios de planos
Embora as coisas continuem as mesmas
No tempo do velho relógio parado


As cores desbotadas nos retratos
As roupas amassadas nas gavetas
O mofo no espelho embassado
As palavras soltas ao vento

O tempo ainda é o mesmo na velha estrada
O carro de boi largado num canto
O fogão à lenha esquecido, cinzas
A rede de tecido apodrecido na varanda


A goiabeira tombada no quintal
O paiol sem estoque de milho
Carregado de lembranças
A goteira no telhado antigo


O tempo continua sendo o mesmo
Os lugares ainda são os mesmos
As coisas estão como deveriam estar
Só nós mudamos...


Os risos de infância se calaram
Os projetos foram largados de lado
Nos perdemos cada qual em seu sonho
Mas o tempo ainda é o mesmo

Cavalgar sem cela
Correr na chuva
Rir e chorar alto
Viver sem noção de hora


Afinal, o tempo não tem pressa
Não tem relógios e nem bússulas
Essas são invenções nossas
Pra fazer tudo tão sem graça e sem "tempo"



Marina Liberato