
Essa noite a lua está mais solitária
Talvez ela rejeite as estrelas
Talvez se ela pudesse se apagar...
Por alguns instantes apenas
Só pra ficar realmente sozinha
Mas isso é impossível quando se é lua
Mesmo tentando esconder
O brilho de suas lágrimas brilham no escuro
E seus soluços atravessam a noite e invadem o céu.
Marina Liberato
O barulho do silêncio é perturbador
As vezes me sinto necessariamente só
O toque do vento entrando pela janela
A dança das folhas na samambaia
Isso me basta, as vezes.
FELIZ ANO SEMPRE NOVO
A esperança do amanhã
Nos faz vivos e cheios de planos
Embora as coisas continuem as mesmas
No tempo do velho relógio parado
As cores desbotadas nos retratos
As roupas amassadas nas gavetas
O mofo no espelho embassado
As palavras soltas ao vento
O tempo ainda é o mesmo na velha estrada
O carro de boi largado num canto
O fogão à lenha esquecido, cinzas
A rede de tecido apodrecido na varanda
A goiabeira tombada no quintal
O paiol sem estoque de milho
Carregado de lembranças
A goteira no telhado antigo
O tempo continua sendo o mesmo
Os lugares ainda são os mesmos
As coisas estão como deveriam estar
Só nós mudamos...
Os risos de infância se calaram
Os projetos foram largados de lado
Nos perdemos cada qual em seu sonho
Mas o tempo ainda é o mesmo
Cavalgar sem cela
Correr na chuva
Rir e chorar alto
Viver sem noção de hora
Afinal, o tempo não tem pressa
Não tem relógios e nem bússulas
Essas são invenções nossas
Pra fazer tudo tão sem graça e sem "tempo"
Marina Liberato
QUANDO DEUS ME TOMOU MEU PAI,
DEVE TER CHOVIDO ESTRELAS
ALGUNS ANJOS SAIRAM ENTÃO
PRA PERTO DE MIM A OLHAR-ME
ENTÃO FIQUEI DE PÉ NOVAMENTE
JOELHOS DOBRADOS E CABEÇA BAIXA
VI QUANDO MEU ANJO SORRIU PRA MIM
ENTÃO SAIU LEVANDO MEU OUTRO ANJO
FOI ASSIM QUE NAQUELA NOITE EU NOTEI
OUTRA ESTRELA BRILHAVA NO CEU
E OUTRO ANJO, MAIS UM
PASSOU A ME OBSERVAR...
MARINA LIBERATO



